O homem muito alto e magro, com cabelos pretos que iam até sua cintura, um rosto liso sem nenhum fio de barba que fosse e uma pele de alvura impressionante começou a falar. Seus olhos, de cor amarelada, remexiam-se loucamente nas órbitas e a língua saltava da boca que pronunciava, incessantemente, palavras que mais pareciam grunhidos, ora estridentes, ora roucos.
Thales estava imóvel, quase lançado ao chão em sua impotência. De relance, pode vislumbrar Petro, Ludvig e Klaus matando alguns guerreiros opositores antes de se virarem para observar o comandante falando. Como uma flecha que atravessava de uma só vez o peito desprotegido de Thales, a verdade veio.
O inimigo de longos cabelos negros se apresentou como Kh’lesh e como aquele que enunciaria toda a história como ela de fato se desenrolara. Ele explicou que tudo aquilo que agora estava acontecendo advinha da manobra política usada por sua nação para atrair e matar Thralius, alguns meses antes, ao contrário do que o filho deste último pensava, ou seja, que tudo não passara de uma tristíssima coincidência dos campos de batalha.
Ademais, Kh’lesh disse que Sarfos havia se apresentado como comandante das forças reais na ausência de Thales, que padecera de um “infortúnio” às vésperas de combater. O traidor ainda propusera uma aliança, para que então, junto a Kh’lesh, tomasse o castelo e pudesse ter o poder para si, mais uma vez jogando por terra a visão ao menos um pouco nobre que ele expusera para Thales no momento de sua partida. O resultado de traição sobre traição não poderia ter sido outro senão a morte sangrenta que Sarfos encontrara no estandarte de seus inimigos.
Por Gabriel Goes